jueves, 11 de octubre de 2012

REFERÊNCIAS

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/b/budapeste

http://revistasubversa.blogspot.com.ar/2010/01/constituicao-narrativa-e-o-leitor-em-de.html

http://www.chicobuarque.com.br/critica/crit_budapeste_istoe.htm

http://www.chicobuarque.com.br/critica/budapeste_critica.htm

http://www.vacatussa.com/2008/10/budapeste-chico-buarque/

COMENTÁRIOS PESSOAIS

Gostamos da historia que narra à novela e também do jeito em que está escrita porque todo acontece ao mesmo tempo e vai de um lado ao outro.
Se bem muitas vezes resultou-nos difícil de compreender pela mistura dos tempos e lugares, a falta de determinação da temporalidade, achamos que isso fez que fiquemos predas e imersas nesta historia.
O final nos deixou surpreendidas porque não pensamos que ia terminar assim. Já que o verdadeiro escritor não era José senão o marido de Kriska.
Outro final possível, que imaginamos ao longo da novela, é que em algum momento José canse-se de ser um escritor anônimo e faça sua primeira publicação assinada por ele mesmo.

ANÁLISE LITERÁRIA

O gênero textual de ‘Budapeste’ é narrativo (novela). O discurso que predomina nesta novela é o discurso literário.
O livro Budapeste é fragmentado, o fim nos explica o inicio ou ao contrário, portanto não possui uma estrutura linear, parte das recordações do narrador, é em primeira pessoa. O livro possui sete capítulos intercalados entre os espaços do Rio de Janeiro e Budapeste, todas as vezes que o personagem entra em conflito em um espaço, vai para outro. Todos os personagens que compõem o livro são delineados pela ótica do narrador. Não há definição de temporalidade no livro nem a sociedade que os personagens transitam. Pressupomos que seja século XI, pelas marcas tecnológicas que o narrador nos mostra (secretaria eletrônica, celular, computador, Internet).A sociedade em que os personagens estão inseridos, é burguesa e capitalista, que é representada pela personagem Vanda com sua ótica superficial do mundo. Constitui-se em mundo dilacerado pelas aparências em que o personagem principal não encontra o seu lugar, ele transita durante todo o livro entre o Rio de Janeiro e Budapeste, vive duas vidas intercaladas por espaços sociais diferentes e ama duas mulheres absolutamente opostas, mas nãoencontra seu lugar. O personagem José Costa dilacera-se numa solidão anônima, porém seu anonimato é relativo, pois como ele existem muitos.

OS PERSONAGENS

José Costa (personagem principal) vive no Rio de Janeiro. É casado com Vanda, que engravidou num momento em que ele se sentia despojado de amor próprio. Gerou Joaquinzinho, ao qual José nãosente nada, porém não se sente culpado. Vanda é uma apresentadora de telejornal, bonita, superficial que vive dizendo lê tudo em suplementos literários, uma típica representante do consumismo, do imediatismo e desse mundo feito de aparências e espelhos.
José é um homem bem magro e alto. Tem cabelos loiros e parece ser mais jovem do que realmente é. 
Na qualidade de sócio-proprietário da Cunha & Costa Agência Cultural, fundada pelo amigo de infância, Álvaro Cunha, seu trabalho é escrever para outras pessoas discursos, declarações, notas e artigos inteiros que, não raro, alcançam sucesso, são comentados, forjam jargões, mas o mantém anônimo.
Sua solidão é relativa. Existem tantos como ele espalhados pelo mundo que chegam a se reunir em congressos mundiais de escritores desconhecidos. Na volta de um desses eventos, realizado em Istambul, Turquia, seu avião é desviado para Budapeste, Hungria, onde pernoita. Como ninguém por lá sabe pronunciar José Costa, surge, então, Zsoze Kósta, um brasileiro apaixonado, ou melhor, seduzido, subjugado pela língua magiar a ponto de passar a viver com a bela Krista, mulher que lhe ensina o novo idioma.

O AUTOR

FRANCISCO BUARQUE DE HOLLANDA
 
Chico Buarque
Chico Buarque recebendo o prêmio de melhor livro na 5º edição do prêmio BRAVO! Prime de Cultura em 2009
Informação geral
Nome completoFrancisco Buarque de Hollanda
ApelidoChico Buarque
Nascimento19 de junho de 1944 (68 anos)
Local de nascimentoRio de Janeiro, RJ
Brasil
País Brasil
GênerosMPB, samba, bossa nova, choro
Ocupaçãocantor, compositor, dramaturgo, escritor
Instrumentosvocal, violão
Período em atividade1962 -
AfiliaçõesCaetano Veloso
Milton Nascimento
Tom Jobim
Influência(s)Noel Rosa
Ismael Silva
Roberto Menescal
Luiz Bonfá
Jacques Brel
João Donato
João Gilberto
Dori Caymmi
Edu Lobo
Elis Regina
Cartola
Tom Jobim
Baden Powell
Vinícius de Moraes[1]
Página oficialSite oficial
 
 
 
 
 
Francisco Buarque de Hollanda, mais conhecido por Chico Buarque ou Chico Buarque de Hollanda, é um músico, dramaturgo e escritor brasileiro. É conhecido por ser um dos maiores nomes da MPB. Sua discografia conta com aproximadamente oitenta discos, entre eles discos-solo, em parceira com outros músicos e compactos. É compositor de Construção, considerada uma das melhores músicas brasileiras já feitas.

Filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda, iniciou sua carreira como escritor em 1962, quando escreveu seu primeiro conto aos 18 anos, ganhando destaque como cantor a partir de 1966, quando lançou seu primeiro álbum, Chico Buarque de Hollanda, e venceu o Festival de Música Popular Brasileira com a música A Banda. Socialista declarado autoexilou-se na Itália em 1969, devido à crescente repressão da regime militar do Brasil nos chamados "anos de chumbo", tornando-se, ao retornar, em 1970, um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização no país. Na carreira literária, foi vencedor de três Prêmios Jabuti: o de melhor romance em 1992 com Estorvo e o de Livro do Ano, tanto pelo livro Budapeste, lançado em 2004, como por Leite Derramado, em 2010.
Foi casado por 33 anos (de 1966 a 1999) com a atriz Marieta Severo, com quem teve três filhas, Sílvia Buarque, Helena e Luísa.Chico é irmão das cantoras Miúcha, Ana de Hollanda e Cristina. Ao contrário da crença popular, Aurélio Buarque era apenas um primo distante do pai de Chico.

BIOGRAFÍA

Chico nasceu em 19 de junho de 1944 na cidade do Rio de Janeiro, é filho de Sérgio Buarque de Holanda (1902–1982), um importante historiador e jornalista brasileiro e de Maria Amélia Cesário Alvim (1910–2010), pintora e pianista.
Em 1946, mudou-se para a capital São Paulo, onde o pai assumiu a direção do Museu do Ipiranga. Chico sempre revelou interesses pela música, tal interesse foi bastante reforçado pela convivência com intelectuais como Vinicius de Moraes e Paulo Vanzolini.
Em 1953, Sérgio Buarque de Holanda, pai do cantor, foi convidado para lecionar na Universidade de Roma. A família Buarque de Hollanda, então, muda-se para a Itália. Chico aprende dois idiomas estrangeiros, na escola fala inglês, e nas ruas, italiano. Nessa época, compõe as suas primeiras marchinhas de Carnaval.
Chico regressa ao Brasil em 1960. No ano seguinte, produz suas primeiras crônicas no jornal Verbômidas, do Colégio Santa Cruz de São Paulo, nome criado por ele. Sua primeira aparição na imprensa, porém, não foi em relação ao seu trabalho, mas sim policial. Publicada, no jornalÚltima Hora, de São Paulo, a notícia de que Chico e um amigo furtaram um carro nas proximidades do estádio do Pacaembu para passear pela madrugada paulista foi anunciada com a manchete "Pivetes furtaram um carro: presos".

Início de carreira

Chico Buarque chegou a ingressar no curso de Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU) em 1963. Cursou dois anos e parou em 1965, quando começou a se dedicar à carreira artística. Neste ano, lançou Sonho de Carnaval, inscrita no I Festival Nacional de Música Popular Brasileira, transmitida pela TV Excelsior, além de Pedro Pedreiro, música fundamental para experimentação do modo como viria a trabalhar os versos, com rigoroso trabalho estilístico morfológico e politização, mais significativamente na década de 1970. A primeira composição séria, Canção dos Olhos, é de 1961.
Conheceu Elis Regina, que havia vencido o Festival de Música Popular Brasileira (1965) com a canção Arrastão, mas a cantora acabou desistindo de gravá-lo devido à impaciência com a timidez do compositor. Chico Buarque revelou-se ao público brasileiro quando ganhou o mesmo Festival, no ano seguinte (1966), transmitido pela TV Record, com A Banda, interpretada por Nara Leão(empatou em primeiro lugar com Disparada, de Geraldo Vandré e interpretado por Jair Rodrigues). No entanto, Zuza Homem de Mello, no livro A Era dos Festivais: Uma Parábola, revelou que "A Banda" venceu o festival. O musicólogo preservou por décadas as folhas de votação do festival. Nelas, consta que a música "A Banda" ganhou a competição por 7 a 5. Chico, ao perceber que ganharia, foi até o presidente da comissão e disse não aceitar a derrota de Disparada. Caso isso acontecesse, iria na mesma hora entregar o prêmio ao concorrente.
No dia 10 de outubro de 1966, data da final, iniciou o processo que designaria Chico Buarque como unanimidade nacional, alcunha criada por Millôr Fernandes.
Canções como Ela e sua Janela, de 1966], começam a demonstrar a face lírica do compositor. Com a observação da sociedade, como nas diversas vezes em que citação do vocábulo janelaestá presente em suas primeiras canções: Juca, Januária, Carolina, A Banda e Madalena foi pro Mar. As influências de Noel Rosa podem ser notadas em A Rita, 1965, citado na letra, e Ismael Silva, como em marchas-ranchos.
 

Teatro e literatura

Musicou as peças Morte e vida severina e o infantil Os Saltimbancos. Escreveu também várias peças de teatro, entre elas Roda Viva (proibida), Gota d'Água, Calabar (proibida), Ópera do malandro e alguns livros: Estorvo, Benjamim, Budapeste e Leite Derramado.
Chico Buarque sempre se destacou como cronista nos tempos de colégio; seu primeiro livro foi publicado em 1966, trazendo os manuscritos das primeiras composições e o conto Ulisses, e ainda uma crônica de Carlos Drummond de Andrade sobre A Banda. Em 1974, escreve a novela pecuária Fazenda modelo e, em 1979, Chapeuzinho Amarelo, um livro-poema para crianças. A bordo do Rui Barbosa foi escrito em 1963 ou 1964 e publicado em 1981. Em 1991, publica o romance Estorvo(vencedor do Prêmio Jabuti de melhor romance em 1992)e, quatro anos depois, escreve o livro Benjamim. Em 2004, o romance Budapeste ganha o Prêmio Jabuti de Livro do Ano. Em 2009, lança o livro Leite Derramado, que também recebe o Prêmio Jabuti de Livro do Ano. Oficialmente, a vendagem mínima de seus livros é de 500 mil exemplares no Brasil.
 

A NOVELA

BUDAPESTE  é a quarta produção literária do compositor, cantor e escritor Chico Buarque de Holanda. Ele compôs esta obra na sua residência, no Rio de Janeiro, e também em seu apartamento, localizado na capital francesa. A duplicidade, tão presente neste livro, já se encontra presente, portanto, no seu próprio processo criativo.

Comparado às obras anteriores, este romance escapa da densidade sufocante de seus antecessores, apresentando um discurso mais saboroso e envolvente. Cabe ao leitor que viaja por suas páginas descobrir o que é real e o que se abriga no universo da fantasia. Seu protagonista é José Costa, um ghost-writer, ou seja, um autor que cria seus enredos, discursos e artigos anonimamente, ao mesmo tempo em que testemunha outros levarem a fama por aquilo que ele criou.
Morador do Rio de Janeiro, ele é casado com Vanda, que tem um filho seu, Joaquinzinho, em um momento de baixa auto-estima vivenciado por José. Ele é sócio do amigo Álvaro Cunha em uma agência que produz textos anônimos para outros. Ao retornar de um Congresso de ghost-writers como ele, acidentalmente vai parar em Budapeste, na Hungria. Aí ele se apaixona pelo idioma magiar e assume uma nova identidade, bem como outro caso amoroso, com Krista, que o ajuda a dominar esta língua sedutora.
Budapeste é povoado pelas conversas entre o outro de José, Zsoze, que nasce quando não conseguem escrever seu nome corretamente, e a amante Krista. Enquanto o brasileiro só cria em prosa, sua nova identidade produz um poema intitulado Titkos Háramsoros Versszakok ou Tercetos secretos, assinado por um certo Kocsis Ferenc, poeta decadente.
José passa a viver alternadamente estes dois personagens, alimentando uma duplicidade que remete a um estilo muito comum na produção literária européia dos séculos XIX e XX. Enquanto os poemas produzidos em Budapeste não fazem muito sucesso com Krista, o que leva Zsoze a romper com ela, Vanda se deixa seduzir pela produção anônima de José sobre o alemão Kaspar Krabbe, que no Brasil praticava a nova língua no corpo de uma mulher chamada Tereza e, posteriormente, nas prostitutas e jovens acadêmicas que disputavam entre si a honra de serem palco desta prática.